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A ARTE COM AS MÃOS JUAZEIRO DO NORTE
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Foi assinada ordem de serviço para recuperação e reforma no prédio do Centro de Referência do Artesanato do Cariri. A solenidade ocorreu na noite de segunda-feira contando com as presenças da Secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Fátima Catunda; Secretário de Infra-estrutura do Estado, Adail Fontenele, Procurador do Estado, Dr. Fernando Oliveira, Prefeito Raimundo Macedo, Primeira Dama, Maricoele Macedo, os prefeito e vice-prefeitos eleitos, Manoel Santana e José Roberto Celestino e o prefeito reeleito de Crato Samuel Araripe.

Fátima Catunda ressaltou a importância da Central para o artesão principalmente na questão da comercialização. “Através de uma Central reformada com uma logística e uma infra-estrutura diferente o artesão terá de forma mais confortável e moderna produzir suas peças que são verdadeiras riquezas para o Cariri e para o Ceará”. Ela explicou como será a estrutura da Central. “Aqui nesta Central nós teremos lojas, oficinas de capacitação, anfiteatro, núcleo de apoio a exportação do artesanato caririense e das regiões aqui próximas. Essa comercialização tem sido uma preocupação do Governador Cid e da primeira Dama Maria Célia para se ter uma base com o nosso artesanato sendo vendido na Europa e nos Estados Unidos com uma grande qualidade e com a sempre boa criatividade do povo caririense”, enfatizou.

A Secretaria lembrou ainda que a CEART existe em Fortaleza há 20 anos e que “nunca houve uma iniciativa de se descentralizar suas ações”. Para ela o Governador Cid “mostrou essa visão e a descentralização chega a uma região que representa o esteio do artesanato no Ceará. A CEART contribuirá para sustentabilidade do artesanato com os artesãos vivendo de sua produção”, afirmou.

Luciano José da Silva, Presidente da Federação das Associações dos Artesãos do Cariri disse que a obra engrandece os trabalhos dos profissionais no Cariri. “Isso comprova a valorização do artesanato e colabora para fortalecer a Federação e representa a valorização também dos artesãos”. A federação, segundo seu presidente, tem hoje 14 entidades devidamente cadastradas representando mais de 800 artesãos do Cariri. Luciano José informou também a conquista esse ano do Caminhão do Artesão. “Esse caminhão foi conquistado numa ação conjunta da Federação, Prefeitura, estado, SEBRAE e Fundação banco do Brasil. Hoje tem sido possível ir as mais variadas feiras de todo o país, onde expomos e comercializamos nossos produtos”, concluiu.

Para o Prefeito eleito, Manoel Santana essa iniciativa mostra a comprovação do compromisso do Governo do Estado com a arte e cultural do povo caririense. “Essa iniciativa do Governo vem ao encontro de uma proposta nova que temos para esse segmento. O nosso desejo é criar uma universidade da cultura popular. Isso fortalecerá cada vez mais nosso turismo e nossa arte para que elas sejam também referências a nível nacional”, ressaltou. Dr. Santana considera também que esse Centro de Referência “serve para fortalecer o projeto da Região Metropolitana fortalecendo os setores da arte e da cultura”.
O valor da reforma ultrapassará a casa dos R$ 300 mil. A unidade fora entregue no final da administração de Lúcio Alcântara (ver placa), mas nunca chegou a funcionar. A unidade precisa ser reconhecida não apenas pelos artesãos, mas também por toda população que acaba sendo beneficiada também. A coordenação será de Conceição Aparecida Araújo que é também gerente da agência regional do SINE/IDT.

 

Público presente a solenidade


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A DIVERSIDADE NO ARTESANATO

 A originalidade e criatividade do povo cearense fazem com que as artes e a cultura cearense sejam conhecidos e admirados em todo o Brasil e no Exterior. 

 

 

  Quem visita o Ceará não consegue resistir ao apelo das compras de produtos artesanais e da animada vida artístico-cultural cearense.

 

 

A imagem do Ceará está sempre ligada à figura da mulher rendeira. A renda, também conhecida como renda-de-bilro ou renda da terra, é uma atividade exercida por mulheres nas comunidades interioranas e sua produção está distribuída principalmente na faixa litorânea.
O labirinto foi introduzido no Brasil pelo povoador português. É encontrado nas praias cearenses, praticado por mulheres de jangadeiros, especialmente nos municípios de Aracati, Beberibe, Cascavel e Fortaleza.
  O artesanato de cestaria e do trançado no Ceará é dominado pelo emprego da palha de carnaúba, do bambu e do cipó para a confecção dos mais diversos objetos, tais como: chapéus, bolsas, cestas, etc. Os núcleos produtores mais destacados estão nos municípios de Sobral, Russas, Limoeiro do Norte, Jaguaruana, Aracati, Massapê, Cratéus, Baturité e Camocim. 
  cerâmica cearense, de influência portuguesa, indígena e africana, se presta para fins utilitário, decorativo e lúdico. Além de Fortaleza, os centros mais representativos são Cascavel, Ipu e Juazeiro do Norte.
  O Ceará possui uma antiga tradição de artigos artesanais feitos em couro. A significativa participação da pecuária e da exportação de couros da nossa economia explica a rica variedade de peças artesanais produzidas com este material. Os principais núcleos produtores são: Fortaleza e Juazeiro do Norte. O artesanato têxtil do Estado tem como principal característica a produção de redes maciçamente localizada nos municípios de Fortaleza e Jaguaruana.
  O artesanato de metal abrange diferentes ramos, tais como: latoaria, ferraria, serralharia e cutelaria.
  No artesanato de madeira, o Ceará destaca-se na fabricação de móveis de todos os tipos. Em Fortaleza, Canindé, Cascavel e Juazeiro do Norte é bastante difundida a pequena indústria do mobiliário. Em Barbalha, existe o artesanato ligado à maquinaria de engenhos de cana. Os escultores e talhadores em madeira estão concentrados, em grande parte, na capital cearense.
  No artesanato de artes gráficas, a mais importante contribuição artística do Estado do Ceará é a xilogravura para ilustração de capas de folhetos de cordel. A religião no Ceará tem profundas ligações com o artesanato e os imaginárias são prova concreta da paixão do povo por suas crenças e seus santos, retratados pelas imagens de santos e ex-votos. Dois centros destacam-se como locais de veneração místico-religiosa: Juazeiro do Norte e Canindé
  Artesanato - O índigena, que o colonizador encontrou, já era artesão do tecido e da cerâmica sedimentar. Com a casca da aroeira tingia de vermelho os fios de algodão e as fibras de outros vegetais, e do azul que extraia de outras plantas do mato. Produzia sandálias de corda de caroá (ou croatá). Os Jesuítas, ao chegarem para proceder a evangelização da indiada, ante a habilidade manual e pendor artístico mostrados pelos nativos, sistematizaram o artesanato existente, somando-o ao da gente portuguesa, ensinando-lhe as técnicas de pintura, escultura, douração, relojoaria, ouriversaria, carpintaria, marcenaria, tecelagem, fundição etc. Com a expulsão dos jesuítas por Pombal, os índios e a descendência mameluca já haviam incorporado a sua cultura a vocação artesanal, transmitida as gerações que iam chegando. E permanecendo até hoje. E de tal forma interessante - até encantadora - que essa produção artesanal, apesar da introdução do maquinário moderno e a tecnologia em curso, permanece viva, elaborando peças que continuam sendo disputadas pelos que aqui chegam. 

  As Rendeiras - Foi em 1748 que a Europa recebeu as primeiras rendas do Ceará. Logo tidas como de excepcional qualidade artística. Há dois séculos, portanto, que foi detectado o "natural engenho" de nossas rendeiras. Vale ir ver in loco o trabalho dessas artistas. O equipamento que elas usam é simplissímo. Um almofadão, no qual fica pregado um cartão furado do desenho da renda que se pretende fazer, alfinetes do espinho do mandacaru, para prender a renda, e os bilros de madeira, mais três caroços de macaúba onde são enrolados os fios. Vale acrescentar que a renda difere do bordado por não ter um fundo de tecido preparado, como o bordado, que é ornamentado com fios inseridos por meio de agulhas. (Aquiráz, Acarau, Trairi, são os municípios de maior concentração das chamadas mulher-rendeira). 
  Couro - Eis a matéria-prima em que o artesanato cearense ganha dimensões extraordinárias. O mais característico é o chapéu de couro, que o vaqueiro usa e que o visitante sempre gosta de comprar. A roupa do vaqueiro é toda feita em couro, única forma que o capacita a, montando no cavalo, correr atrás do boi, por entre a caatinga agressiva, cheia de plantas espinhentas e ressequidas. Mas há também as selas, arreios, bainhas de faca, porta revistas, esculturas, cadeiras... A fora evidentemente as sandálias, as alpercatas e sapatos de couro cru, ainda vendáveis, apesar da instalação, recentemente, de várias indústrias de sapato, vindas do sul do país, que estão aproveitando os generosíssimos incentivos, que o Governo do Estado oferece. Já se pode afirmar que o Ceará é mais um polo industrial do Couro. Morada Nova, Juazeiro, Crato, Jaguaribe e Assaré apresentam os contingentes maiores do artesanato coureiro.
  Cestarias e trançados -

São variedades do artesanato situadas logo a seguir das rendas e bordados, no que concerne á ocupação da mão de obra, e em cifras de unidades produzidas e exportadas. Para trançar temos a maior riqueza a "carnaúba". Chapéus, cestas, esteiras, vassouras, abanos, peneiras, samburás, caçuás, esteiras, urupenbas, são algumas das unidades desse universo da cestaria e da trança. Aracati e Sobral são os maiores produtores de chapéus. De "cipó", dezenas de municípios trançam-no para o fabrico de vários utilitários. Outros mais dedicados a essa atividade são Russas, Cascavel, Limoeiro do Norte e Guaramiranga.
  Cerâmica - A mulher indígena já fazia panelas e pratos de barro dos massapês próximos. E hoje os sertanejos utilizam a cerâmica para os mais variados artefatos caseiros e, também de arte pura, como o famoso mestre Vitalino, de Pernambuco, e com seguidores nos demais estados nordestinos, Ceará, inclusive. O artesanato de cerâmica medra nos municípios banhados por rios e riachos. Jarras, quartinhas (moringas), gamelas, pratos, mealheiros, alguidares, além de figuras lúdicas de animais, pessoas etc. São muitos os municípios louceiros: Barbalha, Ipu, Limoeiro do Norte, Aracati, Icó, Juazeiro, Chorozinho...
  Ouriversaria - A notícia da descoberta de ouro em Missão velha, até então Missão dos Carirís Novos, no passado atraiu para a região considerável número de mineiros e ourives.  Ante a constatação da escassez do minério, muitos daqueles artesãos se instalaram no município, e depois se transferiram para o Crato, onde a atividade floresceu, até ceder lugar ao município que então surgia, Juazeiro do Norte. Que sob o incentivo do Padre Cícero Romão Batista. O artesanato se desenvolveu aceleradamente, não apenas com os habitantes nativos, como igualmente, com os romeiros que decidiam se fixar no "Terra do meu Padim". Ruas inteiras de ouriversarias existiam em Juazeiro do Norte, e mais outras formas de artesanato. Houve tempo em que a cidade se orgulhava de contar com 225 estabelecimentos artesanais registrados. Hoje, o declínio da atividade é constatável, mas ainda vale ir ver o que seus artesãos ainda são capazes de produzir.
  Garrafas coloridas - Com as areias multicores das falésias que lhes enfeitam a praia, surgiu, principalmente, em Majorlândia, Aracati, os artistas das garrafinhas coloridas. Pacientemente, com estiletes e diminutas pasinhas, eles as vão dosando para dentro das garrafas, formando paisagens e desenhos variados. Até fotografias chegam a ser reproduzidos nessas garrafas. Obviamente é um trabalho de muita paciência e habilidade. Arte pura.
  Madeiras e metais -

 

Com latas usadas, os artesãos fabricam bacias, canecas, lamparinas, funis, caçarolas, formas de bolo, etc. Com forja e bigorna e rudimentares instrumentos de ferreiros, são confeccionados foices, armadores de redes, chocalhos, estribos, argolas, fechaduras. Com a madeira, nossos marceneiros são capazes de fazer obras de arte encantadoras na área do mobiliário. Sem dúvida alguma, o cearense tem pendor artístico. Pena que o incentivo às suas artes ficaram perdidos nos tempos do Padre Cícero. São admiráveis pelo fato de não haverem deixado essa tradição se acabar de todo. Acrescente-se a este artesanato de madeira, o trabalho dos talhadores, que  esculpem sua arte em tábuas.

 

 

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